Canindé – Você já foi?

Estátua de São francisco de Assis em Canindé Ceará

Imagem de São Francisco de Assis

Em Canindé ateu como eu tambem entra na onda e chora sabe-se lá por que!

“Kanindés”, palavra indígena que designava uma tribo de índios missionados e que primitivamente habitam as margens dos rios Banabuiú e Quixeramobim.  A palavra significa, ainda, uma espécie de arara de plumagem amarela, chamada GUACAMAIO. “O nome aplica-se a uma psitacídeo (Ara araraúna) e assim era apelidada uma grande tribode tarairius, que vivia na região central do Ceará pelo sertões de Quixadá, Canindé e Alto Banabuiu, Quixeramobim. Etimologicamente, existem três versões para o nome, são eles: “teu seio”, “tua cama” e “teu manto”.

Há registros de que, em 1764, o lugar já era habitado e dividido em latifúndios, onde eram exploradas a criação de gado e a lavoura.

No ano de 1775, o sargento-mor português, Francisco Xavier de Medeiros, historicamente reconhecido como fundador do povoado, estabeleceu-se às margens do Rio Canindé, onde iniciou a construção da capela dedicada a São Francisco das Chagas, contando com o auxílio de habitantes locais.

O terreno onde a capela já estava sendo erguida era situado em terras não demarcadas, porém, teve posse reivindicada por três irmãos fazendeiros, tendo de ser interditada por ordem judicial. Além disso, a seca dos três sete, referente ao ano de 1777, também foi razão para a interrupção das obras até 1793.

Somente em 1796, a capela foi inaugurada, tendo como primeiro responsável o padre João José Vieira. Além disso, o Capitão Jerônimo Machado doou a imagem grande de São Francisco, que foi trazida de Portugal. Por essa época, já era venerada em Canindé a imagem primitiva, chamada “São Francisquinho”, que ainda hoje é conduzida solenemente na tradicional procissão do dia 4 de outubro.

No início do século XIX, grandes romarias e festejos em homenagem a São Francisco já eram tradicionais, impulsionando o povoado ao desenvolvimento. A tradição narra a ocorrência de episódios no mínimo curiosos, mas vistos como forma de encanto até os dias presentes. Devido à importância do culto à religião, no dia 30 de outubro de 1817, El Rei D. João VI elevou a antiga capela à categoria de igreja matriz, a qual o primeiro vigário, Padre Francisco de Paula Barros, tomou posse no ano seguinte.

Em 1818, o povoado de Canindé havia sido elevado à categoria de vila, quando também foi demarcado seu território às margens do rio que nomeou o lugar. Politicamente, obteve sua emancipação após o presidente da província do Ceará, Ignácio Correia de Vasconcelos, ter dividido o território provinciano.

Em 25 de agosto de 1914, conforme a Lei Estadual nº 1.221, a Vila de Canindé passou à cidade. Pela Lei nº 1.190, de 5 de agosto daquele mesmo ano, a antiga denominação de Intendência foi substituída por Prefeitura, sendo nomeado primeiro prefeito Antônio Monteiro Filho, conhecido popularmente por Sitônio Monteiro.

É notório que a história de Canindé está intrinsecamente ligada à romaria em homenagem ao padroeiro São Francisco. A cidade foi crescendo em torno da igreja, na medida em que o culto se propagava, atraindo milhares de devotos de outras regiões.

Romeiro Pagando Promessa

Atualmente, a Festa de São Francisco, um dos mais importantes eventos do calendário religioso nordestino, realiza-se na Praça do Romeiro, um gigantesco anfiteatro ao ar livre, com capacidade para abrigar 110 mil pessoas, construído no final da década de 80, século passado.

Como afirmou Frei Venâncio Willeke, Canindé é o “primeiro santuário franciscano do mundo”.

Há pouco tempo, uma comunidade que vive na fronteira de Canindé com o município de Aratuba, deu início à luta para ser reconhecida pelas autoridades como descendentes da tribo dos índios Canindés. A Assembléia Legislativa do Estado do Ceará criou comissão de estudos para reconhecer a comunidade como tal. O jornal Santuário de São Francisco, órgão da Paróquia de São Francisco das Chagas, informa que, em 1738, o padre Ezequiel Gameiro foi encarregado de catequizar 30 casais de Índios Genipapos e 40 casais de Índios Canindés, aldeados na Serra do Uruquê e no Rio Choró. A comunidade que reivindica o reconhecimento seria descendente dos membros desta missão.

Ao lado da Basílica está a Casa dos Milagres, onde os romeiros depositam ex-votos (arte-sacra rústica), fotografias, pinturas, roupas, mechas de cabelo e outros objetos, a fim de registrar graças alcançadas.

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